Vestígios
Em um lugar aparece "colher e investigar". As semeaduras têm relação com investigação.
Numa nota de rodapé, exemplo dos vestígios que ele vai deixando de suas ponderações (a questão que faz de pesar a uva):
"Utilizei a associação de palavras 'esmagadora, além de qualquer medida' para tentar retomar a expressão alemã Überwältigend e seu equivalente em inglês overwhelming. Na frase anterior, a formulação (inadequada) 'impressão deslumbrante' também pode ser compreendida com esta nuance: quando as impressões e os sentimentos suscitados em nós pela confrontação com um esplendor, uma grandiosidade ou uma beleza fora do comum de repente nos inundam, a tal ponto que toda veleidade de expressar o que sentimos parece aniquilada de antemão."
Desde o 8 de setembro (anúncio da resolução parcial de um dos "problemas do milênio" por uma IA), matemáticos têm discutido qual é a parte de seu trabalho que a IA não conseguirá fazer. Estou pensando que o espanto diante da beleza não é dado ao robô. Ser afetado é diferente de ser instruído/programado. O problema é que há uma proporção crescente de instrução, e decrescente de afetação, de sensibilidade, no "humano-que-somos". Daí, talvez, a identificação com a inteligência da máquina.
Traduzo agora um trecho em que ele explica que não inventa as estruturas escondidas nas coisas matemáticas, mas as prescruta e pacientemente as faz emergir. "A inventividade está na linguagem", diz. Entre a apreensão e a expressão, acontece o trabalho de invenção de uma linguagem capaz de exprimir a intimidade da coisa matemática.
Dá pra sentir o vaivém. Entre escutar o apelo das coisas que desejam ser tateadas em sua intimidade, e exprimir nosso discernimento delas como uma ode à aventura da vida através das eras.
Cerne é o desenho dos anéis das árvores.
Traduzir Grothendieck provoca ao mesmo tempo uma cada vez maior abertura e seletividade...

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